Misticismo Cristão |
Misticismo Teórico de Paul Sedir
Quem vos recebe a mim me recebe e quem me recebe recebe aquele que me enviou Mateus10.40 Se você quer refletir bem sobre estas palavras do Nosso Jesus - não, não apenas refletir, mas amá-las de paixão imediatamente saberá o que quero dizer e bem mais ainda. Uma experiência vivida nas horas de solidão. As definições que foram dadas ao misticismo são muito diferentes, porque cada autor posicionou-se sob um ponto de vista diferente. De acordo com a filosofia oficial, é uma espécie de contemplação na qual o ser humano une-se à Deus por um método incomprensível. De acordo com a teologia, é um conhecimento intuitivo realizado no silêncio das operações racionais do entendimento. De acordo com a etimologia, qualquer sistema cujos métodos e resultados são secretos é um misticismo. Neste caso, todos os que pensam ou agem nas regiões extraordinárias da consciência seriam místicos. Estas definições são demasiado, ao vocabulário filosófico da língua francesa falta precisão. Religiosidade, idealismo, espiritualismo, esoterismo, trascendantalismo, ocultismo, magia, hermetismo, psiquismo, teosofía, cábala, gnosis, sufismo, não são expressões sinónimas entre elas, e sobretudo não são termos equivalentes à misticismo. Pode-se considerar como místico qualquer homem que, à alguma religião a que pertença, está unido à Deus único, fazendo abstração de qualquer criatura e consagrando todas as forças ao cumprimento da vontade do Pai. O misticismo não é somente um método de contemplação e êxtase, é também não apenas a fisiologia da alma, é ainda muitas outras coisas. Logo que uma criatura entreg-se-ar, do fundo do coração, nas mãos do Pai, o seu caminho é alterado, os seus trabalhos, que variam de acordo com as suas faculdades e as necessidades da evolução geral, não são conduzidos passo a passo, por agentes espirituais especiais, substituindo os guias comuns cujo cada homem é fornecido de acordo com a sua profissão e as suas aptidões. A via mística conduz diretamente ao plano Divino, o Reino da Misericórdia e o Amor, e o ar que se respira percorrendo-o vem em direta pauta destes mesmos eternos horizontes. À certas almas, unicamente absorvidas pelo Absoluto, a ciência não é suficiente, a religião é demasiado cuidadosa, o esoterismo demasiado complicado. Detectam uma ciência das ciências, uma religião das religiões, uma iniciação cujos restos todos os colégios secretos dão apenas corrompidos. Existe um método de saber pelo qual o conhecimento é instantâneo, uma religião sem ritos pela qual o homem ligar-se-a imediatamente ao Pai, uma iniciação inacessível, mas transmissível gratuitamente, que nós cobre do poder supremo: fazer-se ouvir por Deus. Em algum lugar, neste vasto mundo, realiza-se o Mestre dos Mestres, Não não deixa de cumprir nunca com a confiança de todo aquele que abandona-se entre as Suas mãos augustas. Uma Luz, silenciosa, invisível, mas inextinguible, mas inúmera, oferece-se à quem quer apreender, e iluminar as trevas do seu próprio coração, aqueles abismos, aqueles firmamentos. Esta Luz adorável é o Amor; e o misticismo é a ciência do Amor. É a geometria da alma, se diz. Sim, para pitagóricos, mais para os cristãos é a vida da alma, desenrolando as ondas do seu oculto e muito antigo esplendor, até sobre os seus órgãos mais externos: as nossas faculdades conscientes. Quanto às forças místicas, serão todos os socorros que Deus envia-nos diretamente, imediatamente, expressamente, porque nos-é impossível efetuar este trabalho à sós. O distribuidor único é o que se conheceu como Jésus de Nazareth, os métodos de invocação destas forças são todos indicados no Evangelho e encontrados únicamente lá. (Traducido do original francês por Antonio Carlos Gomes de Castro)
Antonio Carlos Gomes de Castro
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